Ao longo das últimas décadas temos observado um aumento no ritmo das inovações capazes de alterar substancialmente os mercados, as organizações e o comportamento social
Devido a essa característica histórica da inovação, o esforço em investir em melhorias incrementais, em geral, não é suficiente para uma empresa manter níveis de desempenho superiores no longo prazo.
A tendência a longo prazo é ou o mercado tender para o equilíbrio com a “comoditização” dos produtos comercializados, ou o mercado ser suplantado por uma nova onda de tecnologia dominante que muda as bases da competição. Para manter desempenho de longo prazo as empresa devem saber como continuar tirando proveito de uma “onda de tecnologia” e ingressar em outra para sustentar novas bases de crescimento.
Com o ritmo acelerado das inovações e as pressões de mercado cada vez mais fortes, o dilema entre inovar pensando em curto-prazo ou em longo-prazo é cada vez mais crítico para as empresas. Investidores pressionam os executivos para crescer e continuar crescendo cada vez mais rápido, por outro lado, para sustentar esse crescimento, o executivo deve assumir riscos que são inaceitáveis para esses mesmos investidores
A medida que o ciclo de vida dos produtos e serviços diminui, empresas se veem forçadas a buscarem novas idéias e inovações para se manterem ou aumentarem sua competitividade. O uso de inovação como instrumento de aumento de competitividade já foi comprovado por estudos, porém ainda são poucas as empresas brasileiras que adotam uma mentalidade de inovar de forma estruturada.
Um departamento, escritório ou núcleo de gestão da inovação, como costuma ser chamado, já é presença certa em multinacionais e em algumas das grandes empresas brasileiras. A função dos gestores da inovação, como são titulados os responsáveis por esta área, vão muito além de conhecer simplesmente a parte técnica, como ocorria no passado nas áreas de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento). O gesto de inovação atual é um profissional multidisciplinar que alia conhecimentos técnicos e de gestão, circula bem por todas as áreas da empresa e tem a visão necessária para enxergar oportunidades de novos negócio para a empresa. Lidar com os programas governamentais de inovação, na esfera estadual e nacional, e inserir a política de inovação corporativa dentro do mesmo também costuma ser uma das principais atribuições deste profissional.
Algumas vantagens de um escritório de inovação?
Sistematizar processos de geração de idéias e de novos produtos e serviços
Não basta apenas a empresa ficar a espera de novas idéias de seus funcionários. É preciso estimular os mesmos com criação de programas de geração de idéias e sistemas de recompensas que premiem o intra-empreendedor.
Mapear constantemente editais e chamadas para obter créditos e se enquadrar em incentivos governamentais.
Muitas empresas desconhecem os mecanismos e programas governamentais de incetivo a inovação e acabam perdendo inúmeras oportunidades. Periodicamente a função do gestor de inovação é verificar a existência de chamadas públicas e não deixar que projetos não sejam enviados por falhas técnicas, como mau preenchimento de projetos ou descumprimento de prazos.
Disseminar a cultura e mentalidade de empreender dentro da organização.
O empreendedorismo deve ser estimulado para que a organização tenha capacidade de inovar sistematicamente. A simples presença de uma área institucionalizada como gestora da inovação dá aos demais colaboradores da organização uma maior segurança em propor soluções diferentes do convencional. Além disso é responsabilidade dos gestores de inovação ministrar cursos sobre o tema, ampliando a visão dos colaboradores.
Proteção intelectual dos processos e produtos gerados
A proteção jurídica de processos e invenções desenvolvidos internamente constitui um ativo extremamente importante em um mundo baseado em conhecimento. Além de proteger-se das inovações que sustentam seu negócio, a empresa pode explorar inovações geradas e não utilziadas através do processo de proteção e posterior licenciamento ou venda da patente para organizações que tenham interesse na inovação, constituindo-se uma importante fonte de receita.
Relacionamento e coordenação de projetos junto a universidades e instituto de ciência e tecnologia
No Brasil ainda são poucas as empresas que estabelecem parcerias com Universidades. Ambos os lados parecem não falar a mesma língua. Gestores de inovação devem ter como função ser a ponte entre a empresa e a universidade, encontrando centros de excelência que desenvolvam pesquisas científicas e tecnológicas que sejam de interesse da organização e gerenciando tensões que possam surgir entre diretores das mais diversas áreas de um lado e acadêmicos e pesquisadores do outro.
Características e perfil do profissional?
Formação: Engenharia de Produção ou Administração de Empresas, cursos que dão ao profissional a formação base sobre o funcionamento de uma organização e as ferramentas úteis durante ao processo de gestão. Também é indicado a formação em uma área técnica específica, de preferência a área foco da empresa em que irá atuar.
Perfil: dinâmico, espírito empreendedor e interesse pela pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e processos.
A formação dos gestores de inovação
As principais escolas de administração no país já oferecem MBAs, Mestrados e programas de educação executiva sobre o tema inovação e empreendedorismo corporativo. São cursos que tem como foco capacitar e instrumentalizar profissionais das mais diversas áreas nos temas referentes à gestão da inovação; identificar e discutir os principais desafios para a inovação na organização; conhecer o sistema inovação e as políticas públicas brasileiras relacionadas ao tema; discutir os casos de sucesso e insucesso empresariais relacionados ao processo de inovação e preparar o profissional para atuar em projetos multidisciplinares e a capacidade de liderança em projetos de inovação.